Dois Lados da Política
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PL reconhece a vitória de Lula e contraria Flávio, mas acusa o governo de medidas "eleitoreiras". Veja o que diz cada lado

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Arte com o texto: PL reconhece a vitória de Lula
Arte: Dois Lados da Política · Imagem própria

Na noite de domingo (25/10), Flávio Bolsonaro disse que era “impossível reconhecer” o resultado da eleição. Na segunda-feira (26/10), o próprio partido dele foi em outra direção. Em nota, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou: “Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, segundo o Metrópoles.

O reconhecimento, porém, veio com críticas. Valdemar não parabenizou Lula e atribuiu a virada a medidas do governo na reta final da campanha, que chamou de “fortemente eleitoreiras”.

O que diz a nota do PL

  • O partido reconhece o resultado, mas afirma que “os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos”, segundo o Poder360.
  • Valdemar lembrou que Flávio terminou o 1º turno 2,2 milhões de votos à frente de Lula e perdeu no 2º turno, segundo o Metrópoles.
  • Entre as medidas criticadas estão o reajuste de 15% do Bolsa Família, a antecipação dos pagamentos de outubro e o perdão de dívidas de microempreendedores (MEIs), segundo o Congresso em Foco. Para o partido, isso “levanta questionamentos sobre os efeitos dessas medidas em um processo eleitoral justo”.
  • A nota termina dizendo que o PL vai seguir “buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições”.

Segundo o Metrópoles, a nota não apresentou dados nem apontou irregularidades específicas.

E Flávio?

A nota marca uma diferença em relação ao candidato. Na segunda-feira, a campanha de Flávio informou que, “por enquanto”, não vai continuar com o pedido de anulação, segundo o Poder360. Em vez disso, ele anunciou que vai entrar com uma ação para tentar cassar a chapa de Lula e Alckmin por abuso de poder político e econômico. Aliados disseram à imprensa que a chance de pedir a anulação é “zero”, segundo o Metrópoles. Veja o recuo de Flávio e o que é uma AIJE.

O Bolsa Família no centro da disputa

O que critica o PL: o momento das medidas. O reajuste foi anunciado por Lula em 17 de setembro, a 17 dias do 1º turno, e o pagamento de outubro, com o valor novo, foi antecipado para 19 a 21 de outubro, terminando quatro dias antes do 2º turno, segundo o Poder360 e O Tempo. Sem a antecipação, os depósitos iriam até o fim do mês.

O que diz o governo: o reajuste de 15,04% repõe a inflação (INPC) acumulada desde 2023, e o piso do benefício passou de R$ 600 para R$ 691, segundo o Poder360. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) afirma que a antecipação tem “caráter exclusivamente técnico e preventivo”, por causa do risco de um El Niño muito forte até dezembro, e nega relação com o calendário eleitoral, segundo O Tempo. Segundo o ministério, os reconhecimentos federais de emergência ou calamidade passaram de 253 para 518 entre agosto e setembro, na comparação com 2025.

O reajuste custa cerca de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, segundo o Poder360. A antecipação também vale para os pagamentos de novembro e dezembro.

Um contexto que vale para os dois lados: em 2022, o governo Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 nos meses anteriores à eleição. Na época, Lula, então candidato, criticou a medida e acusou o adversário de tentar favorecer a própria campanha, lembrou O Tempo.

O que acontece agora

Até a publicação deste texto, as reportagens não registravam resposta do PT ou do governo à nota do PL. Se a ação de Flávio contra a chapa de Lula for apresentada, caberá ao TSE analisar se houve abuso e se ele foi grave o suficiente para afetar a eleição. Este texto será atualizado.

Fontes