Flávio Bolsonaro recua e desiste de pedir a anulação da eleição; agora quer cassar a chapa de Lula. Entenda o que é uma AIJE
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Menos de 24 horas depois de afirmar que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação da eleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) mudou de estratégia. Nesta segunda-feira (26/10), ele desistiu de pedir a anulação e anunciou que vai entrar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por “abuso de poder econômico”, pedindo a cassação da chapa de Lula e Alckmin, segundo a Gazeta do Povo.
O que Flávio disse agora
Em comunicado, Flávio afirmou que “a eleição terminou, mas a luta por um Brasil diferente continua” e se apresentou como líder da oposição. Segundo a nota, a democracia exige “transparência, respeito às regras e igualdade de condições”. A Gazeta do Povo informou que a declaração da noite de domingo “não foi bem recebida por aliados”, o que levou à mudança. Até a publicação deste texto, a ação não detalhava provas nem prazos.
Do “vou respeitar” ao “impossível reconhecer”
Antes da eleição, na sabatina da TV Globo, em 16 de outubro, Flávio afirmou: “Vou disputar as eleições com as regras que estão aí”, e disse que respeitaria o resultado, qualquer que fosse, segundo o Correio Braziliense.
Na noite da derrota, em 25 de outubro, ele disse: “É impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram”, e atribuiu a mudança à prorrogação da votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, segundo o InfoMoney.
O que é uma AIJE
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral está prevista no artigo 22 da Lei Complementar 64, de 1990, a Lei das Inelegibilidades. Ela serve para investigar se houve abuso de poder econômico ou político, ou uso indevido dos meios de comunicação, em benefício de um candidato.
- Quem pode apresentar: partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral.
- Quem julga: no caso da eleição presidencial, o TSE.
- O que pode acontecer se a ação for aceita: a lei prevê a cassação do registro ou do diploma de quem foi beneficiado e a inelegibilidade por 8 anos de quem praticou o abuso.
- O que precisa ser provado: que houve o abuso e que ele teve gravidade suficiente para comprometer a normalidade e a legitimidade da eleição.
Até a publicação deste texto, não havia informação sobre quais fatos específicos a ação vai apontar como abuso de poder econômico.
O contexto
- O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação da votação não alterou o resultado: “Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, segundo o Metrópoles.
- Lula venceu com 4,43 milhões de votos de diferença (51,79% a 48,21%), segundo o resultado oficial do TSE.
- O PT também tem uma ação contra a candidatura de Flávio, por suposto favorecimento em ferramentas de inteligência artificial da Meta, segundo o Poder360. Veja a disputa sobre as redes sociais.
A posse de Lula está marcada para 5 de janeiro de 2027. Este texto será atualizado quando a ação for apresentada.
Fontes
- Gazeta do Povo: Flávio pedirá cassação da chapa de Lula e evita falar em anulação da eleição
- Correio Braziliense: em sabatina, Flávio afirmou que reconheceria eventual derrota
- InfoMoney: Flávio não reconhece resultado da eleição e diz que pedirá anulação ao TSE
- Metrópoles: Flávio culpa prorrogação, mas aliados atribuem derrota a erros próprios
- Lei Complementar 64/1990 (Lei das Inelegibilidades), art. 22