Dois Lados da Política
Eleições

"Lula não é meu presidente": a frase de Nikolas e o racha na direita entre contestar e aceitar o resultado

Publicado em · atualizado em

Flávio Bolsonaro concede entrevista no Senado Federal
Foto: Carlos Moura/Agência Senado, 2025 · CC BY 4.0 (Wikimedia Commons)

Atualização (26/10, noite): na segunda-feira, Flávio Bolsonaro desistiu de pedir a anulação da eleição e anunciou que vai entrar com uma ação para tentar cassar a chapa de Lula, segundo a Gazeta do Povo. Veja o recuo e o que é uma AIJE.

“Mudar a regra do jogo no meio dele não é democrático. Que tudo seja esclarecido. Até lá, Lula não é meu presidente.” A frase do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), publicada no X depois da reeleição de Lula, resume um dos lados de uma divisão que apareceu no próprio campo de Flávio Bolsonaro: contestar ou aceitar o resultado.

O lado que contesta

Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição por causa da prorrogação da votação até as 19h. “É impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram”, disse, segundo o InfoMoney. Aliados reforçaram o discurso nas redes, segundo o ND+:

  • Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, chamou o resultado de “impossível” e “inaceitável”.
  • Marcel van Hattem (Novo), senador eleito pelo Rio Grande do Sul, disse não considerar o resultado uma derrota, “porque estamos desde já questionando essa eleição espúria”.
  • Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha: “As regras não podem mudar no meio do jogo.”

O lado que vê erros da campanha

Segundo o Metrópoles, dirigentes partidários do próprio campo de Flávio afirmaram, sob reserva, que o questionamento “não faz sentido”, porque Lula cresceu muito mais que o senador entre os dois turnos: Lula somou 10,4 milhões de votos a mais que no 1º turno, e Flávio, 3,7 milhões, pelos números do TSE.

Esses aliados atribuem a derrota a erros da campanha, segundo a reportagem:

  • Excesso de confiança: um aliado disse que Flávio estava de “salto alto” e reclamou que ele discutia a estrutura do futuro governo antes de garantir a vitória.
  • Um 2º turno morno: a avaliação é de que Lula ganhou a iniciativa nas ruas e nas redes.
  • Falta de autenticidade: um ex-colega de Flávio na Assembleia do Rio disse que ele parecia “pouco autêntico” ao tentar copiar o estilo de outros políticos da direita nas redes.

Segundo um parlamentar que participou da reunião da campanha depois da virada, “ficou a impressão que o Flávio ia mesmo se recusar a reconhecer Lula”.

O que diz o TSE

O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, proclamou o resultado e afirmou: “Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, segundo o Metrópoles. O tribunal também chamou de falsa a afirmação de Flávio de que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. Veja os detalhes.

Por que isso importa

A divisão vai além da noite da eleição. A partir de fevereiro de 2027, o PL terá a maior bancada da Câmara e do Senado, e a forma como o partido e seus aliados vão se posicionar diante do novo governo, entre a oposição dura e a negociação, deve marcar os próximos anos.

Fontes