Flávio nos EUA: o recado da Casa Branca, a coletiva cancelada e a PF avaliando bloquear os bens dele
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Dois dias depois de chegar a Miami, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acumula três novidades: um sinal de incômodo do governo americano com a carta em que ele se disse “presidente eleito”, o cancelamento da entrevista coletiva que daria nos EUA e a informação de que a Polícia Federal avalia pedir o bloqueio dos bens dele.
O recado da Casa Branca
Segundo a colunista Patrícia Vasconcellos, do SBT News, um integrante do governo Trump disse, em conversa reservada, que os Estados Unidos não gostariam de ver Flávio se apresentar como “presidente de fato” do Brasil. Não houve comunicado oficial: a informação é de bastidor, de uma fonte que não se identificou.
O episódio é ligado à carta que Flávio divulgou na quarta (28). A primeira versão o apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”; minutos depois, uma correção trocou a expressão por “o líder do Brasil”, segundo o SBT News e o Estado de Minas. Não se sabe oficialmente o que motivou a troca. Veja a carta na íntegra e a checagem.
O que disse Trump, publicamente, segundo o SBT News e o Estado de Minas:
“Bem, não vou comentar isso, mas sei que demos autorização para que ele entrasse no país, então vamos ver.”
“Achei que ele e sua família foram tratados de maneira muito injusta.”
Na quinta (29), o New York Times revelou que um assessor da Casa Branca providenciou o jato que levou Flávio aos EUA. Veja o que o jornal revelou.
A coletiva cancelada
A entrevista coletiva que Flávio daria em Miami na quinta-feira (29), anunciada por aliados, foi cancelada no meio da tarde, segundo o SBT News. O motivo não foi informado. Até agora, a única manifestação dele desde que saiu do Brasil é a carta. Nela, Flávio prometeu “se dirigir regularmente ao povo brasileiro” e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição.
A PF avalia bloquear os bens
Segundo a CNN Brasil, citada pelo Correio da Manhã, a PF estuda pedir ao STF o bloqueio de bens e de contas bancárias de Flávio, levando em conta o patrimônio do senador e uma possível rede de apoio no exterior. A medida ainda está em análise.
Sobre a prisão preventiva, que deputados do PT pediram a Moraes, a PF trata a hipótese “com cautela”: por ora, entende que o senador não descumpriu uma medida cautelar, embora haja suspeita de desobediência à ordem judicial, segundo a mesma reportagem. O advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito, já teve bens bloqueados no valor de R$ 6 bilhões.
Não há mandado de prisão contra Flávio, e a PF afirma que a restrição aos passaportes, “por si só”, não faz dele um foragido, segundo a CNN Brasil.
Os dois lados
O que diz Flávio: que é alvo de “perseguição política”, que saiu do país para não ser preso e que não cometeu crime: “não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime”, escreveu na carta.
O que dizem os críticos: o PT pediu a prisão preventiva e a inclusão do nome dele no alerta vermelho da Interpol, e Lula disse que “quem não deve, não teme”. A PF investiga o descumprimento das ordens judiciais e as circunstâncias da viagem.
O que acontece agora
- Moraes ainda não decidiu sobre o pedido de prisão nem recebeu pedido formal de bloqueio de bens, segundo as reportagens.
- Flávio tem autorização para ficar nos EUA por até um ano, segundo o NYT, citado pela CNN Brasil.
- Este texto será atualizado se Flávio se pronunciar ou se houver decisão do STF.
Fontes
- SBT News (coluna Direto da Casa Branca, Patrícia Vasconcellos): Casa Branca avisa Flávio: declarar-se presidente é inviável
- Estado de Minas: o recado duro da Casa Branca para Flávio Bolsonaro
- Correio da Manhã (com informações da CNN Brasil): PF avalia pedir bloqueio de bens e contas de Flávio Bolsonaro
- CNN Brasil: assessor de Trump providenciou jato para Flávio ir aos EUA, diz NYT
- CNN Brasil: deputados do PT pedem a prisão de Flávio e alerta vermelho da Interpol
- CNN Brasil: Lula critica fuga de Flávio para os EUA e diz que "quem não deve, não teme"
- CNN Brasil: entenda por que Flávio Bolsonaro não é considerado foragido