Dois Lados da Política
Internacional

Assessor de Trump providenciou o jato que levou Flávio aos EUA, diz New York Times; governo americano deu a ele autorização para ficar

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Montagem com fotos de Donald Trump, à esquerda, e Flávio Bolsonaro, à direita, com o texto: assessor de Trump arranjou o jato
Montagem com fotos de Daniel Torok/Casa Branca, 2025 (domínio público), e Carlos Moura/Agência Senado, 2025 (CC BY 4.0) · Wikimedia Commons

A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil teve ajuda de dentro da Casa Branca, segundo uma reportagem do The New York Times publicada nesta quinta-feira (29/10). De acordo com o jornal, o jato particular que levou o senador e a família da Argentina até Miami foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, e o presidente Donald Trump autorizou a entrada temporária deles nos Estados Unidos, segundo a CNN Brasil e o Metrópoles.

O que o New York Times revelou

  • O jato: foi arranjado por Jason Miller, que é aliado da família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro manteve contato com ele, segundo a CNN Brasil. Segundo o Metrópoles, o próprio Miller confirmou a participação ao jornal americano.
  • Quando começou o plano: na segunda-feira (26), depois que Flávio foi intimado a entregar os passaportes, segundo a CNN Brasil.
  • A autorização: Trump autorizou a entrada de Flávio e da família por meio de um parole, uma permissão de permanência temporária que os EUA concedem por razões humanitárias urgentes ou de interesse público, segundo o Jornal de Brasília. Segundo a CNN Brasil, a autorização permite ficar no país por até um ano.
  • O green card: segundo uma autoridade americana ouvida pelo jornal, Flávio deve pedir a residência permanente no futuro, e o processo pode ser acelerado, como aconteceu com Eduardo Bolsonaro em julho, segundo o Jornal de Brasília.
  • Na chegada: o Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou ao jornal que a família passou pela inspeção de fronteira e foi liberada, segundo o Metrópoles.
  • O passaporte: o NYT diz ter encontrado indícios de que Flávio apresentou um passaporte diplomático já cancelado ao chegar aos EUA, segundo o Metrópoles.

As informações do jornal sobre a autorização e o voo vêm de autoridades americanas que não se identificaram, ressalta o Jornal de Brasília.

As respostas

  • Casa Branca: questionada pela CNN Brasil, mandou as perguntas para Jason Miller. Ao Metrópoles, remeteu às declarações públicas de Trump.
  • Trump, na quarta (28), confirmou que Flávio recebeu permissão para entrar. Sobre a carta em que Flávio se disse “presidente eleito”, afirmou: “Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, segundo a CNN Brasil.
  • Javier Milei, presidente da Argentina, se recusou a comentar, segundo o Metrópoles.
  • Flávio não comentou a reportagem até a publicação deste texto.
  • No Brasil, a PF investiga as circunstâncias da viagem e o possível descumprimento das ordens judiciais, segundo o Metrópoles. Até a publicação, não encontramos manifestação oficial do governo brasileiro sobre a reportagem do NYT.

Os dois lados

O que diz Flávio: na carta divulgada na quarta (28), ele afirmou que é alvo de perseguição política, que saiu do país para não ser preso e agradeceu a Trump “por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil”. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu. Ele nega irregularidades nas investigações. Veja a carta na íntegra e a checagem.

O que dizem os críticos: na terça (27), Lula disse que “quem não deve, não teme” e que “o cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa”, segundo a CNN Brasil. Deputados do PT pediram ao ministro Alexandre de Moraes a prisão preventiva de Flávio e, se ela for decretada, um alerta vermelho da Interpol, segundo a CNN Brasil.

O que não muda

  • Não há mandado de prisão contra Flávio. A PF afirma que as restrições aos passaportes, “por si só”, não fazem dele um foragido, segundo a CNN Brasil.
  • Até a publicação deste texto, Moraes não tinha decidido sobre o pedido de prisão feito pelos deputados do PT.
  • Flávio é investigado no STF em dois inquéritos: um sobre suposta lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz e outro sobre o financiamento do filme Dark Horse, segundo o Metrópoles.

Veja também a rota de Flávio até Miami e o que disse Trump. Este texto será atualizado.

Fontes