Vão revogar o reajuste do Bolsa Família? O que existe de verdade: um pedido no TCU feito em setembro, uma decisão do STF e a negativa do governo
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Depois do 2º turno, começaram a circular nas redes publicações dizendo que o reajuste de 15% do Bolsa Família seria revogado, ou que o benefício seria cortado. Fomos conferir. Resposta curta: o governo nega qualquer corte, e não há decisão revogando o reajuste. Mas existe, sim, um pedido para suspender o aumento, e é dele que vem parte da confusão.
Resumo rápido
| O que circula | O que se sabe |
|---|---|
| “O governo vai cortar o Bolsa Família depois da eleição” | Falso, segundo o governo. A Secom afirmou que o programa “continua funcionando normalmente” e que não houve suspensão nem redução de benefícios depois do 2º turno, segundo a Gazeta do Povo. |
| “Vão revogar o reajuste de 15%” | Não há decisão nesse sentido. O que existe é um pedido do Ministério Público junto ao TCU para suspender o aumento. |
| “O pedido é novo, depois da eleição” | Não. Ele foi apresentado em 17 de setembro, no dia do anúncio do reajuste, segundo o InfoMoney e o Poder360. Alguns sites republicaram a notícia nesta semana como se fosse nova. |
| “O reajuste foi ilegal por causa da eleição” | Em 18 de setembro, o ministro Gilmar Mendes, do STF, entendeu que o reajuste não viola a legislação eleitoral, segundo a CNN Brasil. |
O pedido no TCU
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, pediu uma medida cautelar para suspender o decreto que aumentou o benefício (Decreto 13.120/2026). Segundo o InfoMoney e o Poder360, os argumentos são:
- o decreto não traz estimativa de impacto nem indica de onde sai o dinheiro, o que poderia contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal;
- uma despesa permanente teria sido ampliada por decreto, sem passar pelo Congresso;
- o pedido também levanta a hipótese de uso eleitoral, por causa do anúncio a 17 dias do 1º turno.
Furtado pediu a suspensão antes do início dos pagamentos, para “impedir lesão irreversível ao patrimônio público e à ordem jurídica”, segundo o InfoMoney. No Poder360, ele argumenta que, “uma vez pagos os valores a milhões de beneficiários, seria difícil recuperá-los”.
Onde está o pedido agora: segundo as reportagens, a representação ainda precisava passar pela análise de admissibilidade no TCU antes de ir a um relator. Até a publicação deste texto, não encontramos nenhuma decisão do TCU sobre o caso. Os pagamentos com o valor novo começaram em 19 de outubro.
A decisão do STF
A pedido da AGU, Gilmar Mendes validou o reajuste num processo que tramita no STF desde 2020, sobre a renda básica de cidadania. Para ele, o decreto está dentro dos “termos do regime jurídico aplicável”, segundo a CNN Brasil. O argumento aceito foi que o aumento só repõe a inflação, sem criar benefício novo nem ampliar o número de beneficiários.
Atenção: essa decisão tratou da lei eleitoral. A questão do orçamento, levantada no TCU, é outra discussão.
Os dois lados
Quem critica o reajuste: além do pedido no TCU, o PL, de Flávio Bolsonaro, chamou as medidas da reta final de “fortemente eleitoreiras” ao reconhecer a vitória de Lula. Na carta divulgada nos EUA, Flávio também fala em “abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública”. Veja a carta e a checagem.
O que diz o governo: o reajuste de 15,04% repõe a inflação (INPC) de março de 2023 a agosto de 2026, e o piso passou de R$ 600 para R$ 691. O custo é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões por ano a partir de 2027, segundo o Poder360. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o reajuste não aumenta os gastos, porque o dinheiro vem de sobras de outras áreas do Orçamento, segundo o InfoMoney.
Um contexto que vale para os dois lados: em 2022, o governo Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 nos meses anteriores à eleição. Na época, Lula, então candidato, criticou a medida, lembrou O Tempo.
Se você recebe o Bolsa Família
- Nada mudou no pagamento, segundo o governo. O valor mínimo continua em R$ 691.
- Desconfie de mensagens sobre cortes e confira sempre pelos canais oficiais: Disque Social 121, aplicativo Bolsa Família, Caixa Tem ou telefone 111, da Caixa, segundo a Gazeta do Povo.
- Se um dia o TCU suspender o reajuste, isso será noticiado e atualizaremos este texto.
Fontes
- InfoMoney: MP junto ao TCU pede cautelar para suspender decreto que aumentou o Bolsa Família (17/09)
- Poder360: MP junto ao TCU pede suspensão de reajuste do Bolsa Família (18/09)
- CNN Brasil: Gilmar diz que reajuste do Bolsa Família não viola legislação eleitoral (18/09)
- Gazeta do Povo: governo Lula desmente supostos cortes no Bolsa Família e mudanças na escala 5x2 (28/10)
- Folha do Estado: MPTCU pede suspensão de reajuste de 15% do Bolsa Família (republicado em 28/10)
- Poder360: Lula antecipa o Bolsa Família reajustado para antes do 2º turno
- O Tempo: como será feito o pagamento antecipado do Bolsa Família antes do 2º turno