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Prazo vence, Flávio não entrega os passaportes e a PF os cancela; saída pela Argentina não é confirmada. O que se sabe e o que não se sabe

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Flávio Bolsonaro concede entrevista no Senado Federal
Foto: Carlos Moura/Agência Senado, 2025 · CC BY 4.0 (Wikimedia Commons)

Texto publicado às 14h18 desta terça-feira (27/10) e atualizado conforme surgirem informações oficiais.

Venceu às 11h desta terça-feira (27/10) o prazo de 24 horas dado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregar os passaportes à Polícia Federal. Os documentos não foram entregues: os advogados disseram que não localizaram o senador, segundo a Gazeta do Povo. A PF então cancelou os passaportes e vai comunicar a Moraes que a ordem foi descumprida, segundo o Terra.

Ao mesmo tempo, um site argentino publicou que Flávio teria deixado o Brasil pela Argentina. Isso não foi confirmado. Veja o que se sabe até agora.

O que está confirmado

  • O prazo venceu e os passaportes não foram entregues. A defesa tinha sinalizado que faria a entrega pela manhã, segundo o Terra.
  • A PF cancelou os passaportes comum e diplomático e acionou o Itamaraty para emitir um alerta no sistema internacional de passaportes cancelados, segundo a Gazeta do Povo.
  • A PF e o Ministério da Justiça acionaram o governo argentino para saber se há registro de entrada do senador, segundo a Gazeta do Povo e o Brasil de Fato.
  • Não há registro oficial de saída. A PF não registrou a passagem de Flávio pela aduana de Foz do Iguaçu, onde o controle é feito por amostragem, segundo a Gazeta do Povo. Segundo colunas da Folha de S.Paulo e de O Globo citadas pelo Brasil de Fato, ele não passou por nenhum ponto regular de migração.
  • Não há mandado de prisão. Por isso, ele não pode ser considerado foragido, segundo o Terra.

A versão de que ele saiu do país

Na madrugada desta terça, o site argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira na segunda-feira à noite e embarcaria em Puerto Iguazú, na Argentina, num jato particular rumo aos Estados Unidos, segundo o Brasil de Fato. Dois aliados disseram ao SBT News que ele atravessou a fronteira, segundo a mesma reportagem.

As versões de que ele não saiu

  • O governo argentino nega. O porta-voz da Presidência, Fabián Fernández, disse à Bloomberg que Flávio não entrou no país e que o controle em Puerto Iguazú é total, segundo a Bloomberg Línea e a Gazeta do Povo. Segundo ele, nenhum avião com as características descritas decolou para os EUA.
  • O avião ficou no chão. Dados do Flightradar24 consultados pelo UOL mostram que o jato citado foi de Buenos Aires a Puerto Iguazú na segunda à noite, sem decolagem depois para os EUA, segundo o Brasil de Fato.
  • Aliados negam. “Não saiu”, disse o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), ao Metrópoles. Segundo a Gazeta do Povo, ele afirmou que Flávio está em Brasília. Pessoas que falaram com a segurança do senador disseram à coluna de Lauro Jardim, de O Globo, que ele está em casa, segundo o Brasil de Fato.
  • Flávio, na segunda: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes”, disse em vídeo. Sua assessoria afirmou que ele “faz questão de deixar uma mensagem clara: nunca pensou em deixar o Brasil”, segundo a Gazeta do Povo.

Até a publicação deste texto, Flávio não tinha aparecido publicamente nesta terça, e a assessoria não havia comentado a suposta viagem, segundo o Terra.

As reações

Quem critica a decisão de Moraes: a vereadora Janaina Paschoal escreveu no X: “É muito ruim para a democracia o fato de um candidato perder e, no dia seguinte, ter seu passaporte retirado”, segundo O Antagonista. Eduardo Bolsonaro ironizou a notícia da fuga: “É o Elon Musk que está mandando um foguete”, segundo o UOL, citado pelo Brasil de Fato.

Quem vê risco de fuga: Renan Santos, presidente do partido Missão, disse que “o caminho natural do Flávio era fugir”, segundo o Metrópoles. A PF, ao pedir a medida, citou a fala de Eduardo de que o irmão deveria deixar o país se perdesse, como explicamos neste texto sobre a decisão. Flávio nega ter tido essa intenção.

O que pode acontecer agora

A PF vai informar Moraes de que o prazo não foi cumprido. Cabe ao ministro decidir os próximos passos. Até agora, não há anúncio oficial de nova medida contra o senador. Flávio é investigado em inquérito sigiloso por suposta lavagem de dinheiro; a defesa nega que ele tenha conta em comum com o advogado Willer Tomaz, também investigado, segundo a Gazeta do Povo.

Este texto será atualizado assim que houver confirmação oficial sobre o paradeiro do senador ou nova decisão do STF.

Fontes