Tarifas dos EUA: o que foi taxado, o que ficou de fora e quanto caíram as exportações do Brasil
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Desde 22 de julho de 2026, parte dos produtos brasileiros paga sobretaxas para entrar nos Estados Unidos, um dos principais destinos das exportações do país. As medidas, baseadas na chamada Seção 301 da lei comercial americana, substituíram uma tarifa temporária de 10% que valia desde fevereiro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 23,1% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas às novas sobretaxas.
As tarifas em vigor
- 25% sobre determinados produtos brasileiros, após investigação americana sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, que incluiu temas como o Pix, comércio digital, propriedade intelectual e etanol.
- 12,5% sobre produtos brasileiros numa medida aplicada a 60 parceiros comerciais, ligada a alegações de trabalho forçado em cadeias produtivas.
- As duas se somam quando atingem o mesmo produto, chegando a 37,5%.
O que foi taxado e o que ficou de fora
| Situação (base: exportações de 2024) | Parte das exportações | Valor |
|---|---|---|
| Sem as novas sobretaxas | 52,7% | US$ 21,3 bi |
| Só 25% | 1,9% | US$ 0,8 bi |
| Só 12,5% | 4,7% | US$ 1,9 bi |
| As duas (37,5%) | 16,5% | US$ 6,6 bi |
| Tarifas setoriais americanas (Seção 232) | 24,2% | US$ 9,8 bi |
- Ficaram de fora: café, carnes, suco de laranja, frutas, aeronaves e a maior parte da celulose.
- Pagam as duas sobretaxas: máquinas e equipamentos, calçados, móveis e confecções.
- Só a de 25%: açúcar. Só a de 12,5%: pescados, minérios e óleos essenciais, entre outros.
O efeito nas exportações
As vendas do Brasil para os EUA bateram recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, caíram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e somaram US$ 17,4 bilhões no 1º semestre de 2026, queda de 13%, segundo o MDIC. A participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.
O que dizem os dois lados
O governo Lula classifica as medidas americanas como “restritivas e indevidas”, segundo o MDIC, e defende uma política externa de autonomia, com diversificação de parceiros e mercados.
Flávio Bolsonaro propõe uma reaproximação diplomática e comercial com os Estados Unidos, com mais comércio e investimentos, mantendo a relação comercial com a China, segundo o plano de governo registrado no TSE.
Quem vencer o 2º turno, neste domingo (25/10), vai conduzir a relação com os EUA a partir de 2027.